terça-feira, dezembro 06, 2005

Ambiente: um tema de todos os tempos...

Muitas coisas terríveis há mas nenhuma mais terrível que o Homem. Esse, como tempestuoso Noto, para além do mar cinzento caminha pelas vagas, que rugem à sua volta. Massacra a Terra, imperecível e incansável, -a mais excelsa entre os deuses-, movendo o arado, ano após ano, com raça trabalhando. O Homem engenhoso, lançando a rede à volta, apanha, a tribo das aves, de coração leve, e a raça das feras selvagens, e a fauna marítima,na pregas da malha fiada; e com artificios domina a fera que vive ao ar livre nos montes e submete o cavalo de pescoço com crina, com o jugo à volta do pescoço e o touro incansável das montanhas.[...] o Homem na grande cidade, mistura leis da terra, com a justiça aos deuses jurada. É expluso da cidade o que acompanha com o que não é bom, por causa da ousadia. Não se senta à lareira comigo, nem se tenha igual nos pensamentos aquele que faz tais coisas. Sófocles, Antígona (332-375) Um poema de Sófocles, que por ser tão actual que poderia ter sido escrita nos tempos de hoje. Estas são questões tão pertinentes actualmente, como eram quando Sófocles escreveu o seu poema do século V a.c.Passados tantos séculos podem identificar-se os mesmos problemas. Soper diz: “natureza é o termo com que a humanidade pensa a sua especificidade, e que faz sempre par oposicional com alguma outra palavra, que constitui a outra face da moeda”, diferenciando o humano do não humano. Desde a Grécia antiga que este binómio Homem-Natureza está associado à ambivalência interpretativa que o contraste de dois termos possibilita. No final do Século XX , surge um novo conceito para o binómio Homem / Natureza, onde por um lado estão a política e a legislação e por outro a intervenção insistente da ciência. Curiosa é a opinião de Guiddens que defende que o Homem se vai preocupando menos com o que a natureza pode fazer por ele, mas sim o que ele pode fazer pela natureza “Um mundo, onde o lado sombrio do projecto de transformação de uma natureza definida como o Outro em relação à humanidade”.

4 Comments:

Blogger Cidalia said...

Pensamentos reflectidos ..... trabalho Paula Castro.... muito bem. Afinal sempre foi compensador comparar os artigos

6:25 da manhã  
Blogger Desambientado said...

Tinha-te deixado uma mensagem aqui, mas não o que lhe aconteceu.

3:33 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Quer dizer que já há séculos que andamos a pensar no assunto e ainda não fizemos grande coisa com ele?

1:48 da manhã  
Blogger Fátima Silva said...

Perante isto, que acções podemos empreender? Qual a nossa responsabilidade?
Oxalá não passem mais umas dezenas de anos e continuemos com discursos parecidos.

6:04 da manhã  

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