quarta-feira, abril 26, 2006

Tu és responsável pela tua rosa...

Educação Ambiental não é só ambiente é tudo...respeito, valores, sensibilidade, responsabilidade e se cada um de nós for responsável por aquilo que cativa, pela sua rosa a educação ambiental será uma realidade planetária... "[...] Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas. Contemplou-as... Eram todas iguais à sua flor. E deitado na relva, ele chorou... foi então que apareceu a raposa: - Bom dia, disse a raposa. - Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada. - Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira... - Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita... - Sou uma raposa, disse a raposa. - Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste... - Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda. - Ah! Desculpa, disse o principezinho, Que quer dizer "cativar"? - É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..." - Criar laços? - Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, a minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe: - Por favor... Cativa-me! Disse ela. - Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer. - A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! - Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho. - É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto... No dia seguinte o principezinho voltou. - Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais. - Que é um ritual? Perguntou o principezinho. - É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. (...) Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse: - Ai! que me vou pôr a chorar... - A culpa é tua, disse o principezinho. Eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse... - Pois quis. - Mas agora vais-te pôr a chorar! - Pois vou... - Então não ganhaste nada com isso! - Ai isso é que ganhei! - disse a raposa - Por causa da cor do trigo… Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. Adeus...[...] - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos... - O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer. - Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. - Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer. - Os homens já se esqueceram desta verdade, disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa..." Antoine de Saint-Exupéry in "O Principezinho".

11 Comments:

Blogger Desambientado said...

Sabes Ana Isabel.

Tivemos no início deste Mestrado uma grande discussão em torno do "Principezinho". Defendia que uma obra como o "Principezinho" poderia ser perfeitamente uma tese de Mestrado. Outros, acharam ridiculo, outros ficaram confusos.
Vejo que tu não tens dúvidas.

3:33 da manhã  
Anonymous José Diogo said...

Chi!! Só um comentário mãe. Agora assério tinhas razão quandome disseste que se eu lê-se este post ainda era mais belo. A imagem é espetacular e faz-me lembrar o chei perfumado cheiro.

Beijinhos do teu filhote

José Diogo

2:04 da tarde  
Blogger Cidalia said...

Ana

Adorei este teu post. Deste-me ideias para as introduções de capítulos da dissertação....

De facto o que necessitamos mesmo é criar laços.... principalmente com a nossa terra e com os seres que nela vivem.

Será que precisamos que nos peçam, como a raposa fez "Cativa-me!"

Parece-me bem que sim, pelo rumo que as coisas vão...

Sabes Ana, tenho estado a ler Maria do Céu Roldão. O sentido que ela apresenta sobre o conceito de competência é extraordinário mas.... lendo este teu post gostaria de dizer que.... só quero que as minhas criancinhas tenham a competência de "ver bem com o coração"

Pronto. Já fiz a minha ronda pelos blogs amigos. Agora trabalhinho.

beijnhos

1:16 da tarde  
Blogger ruth iara said...

Achei bem legal esta relação entre o Pequeno Príncipe e a Ecologia.

Propaganda:
No meu novo blog Amigos eu já estava cansada dos óculos ecológicos e minha pretenção é que a Ecologia, num sentido bem holístico fique dissolvida e discreta em todos os meus atos e pensamentos da vida de forma impercetível de pronto. A ecologia é tudo de bom num sentido genérico, mas há em muitos casos a necessidade de especificá-la mais ou menos.

Beijos!

8:29 da manhã  
Blogger Desambientado said...

Gostei muito do teu comentário e vim dizer-te que em nenhum lugar do Mundo há risco zero. Viver, onde quer que seja, é arriscado. Nas ilhas os riscos são diferentes.

Um beijinho.

11:31 da manhã  
Blogger Desambientado said...

Quando pensamos que já não podemos, há sempre um resto de energia que vale quase tanto como o Urânio enriquecido.
Procura dentro de ti a energia para todas as viagens.

3:37 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Keep up the good work » »

5:03 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

9:18 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

That's a great story. Waiting for more. » »

5:16 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Adorei a idéia de cria laços!!! A analogia feita entre a história e a proposta da educação ambiental é fenomenal!
Realmente precisamos criar laços uns com os outros e com o ambiente para que possamos cativar e cuidar do que é nosso. A nossa rosa, que cada um precisa cativar.

Viva o Pequeno Príncipe e sua mágica e doce sabedoria!

5:31 da tarde  
Blogger beni said...

xi, tia ""borrega", o k encontrei.
desde ja parabens pelo blog. kanto a este post...confesso k n conhecia a história do ""principezinho", é fantástica... gostei mt. o k aprendo consigo. tenho pena k acabou, como td tem um fim. obrigada...
beijinhos da borrega sobrinha

5:46 da manhã  

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